“Todos nos carregamos conosco uma história. Aquela que só nos atrevemos a
lembrar, quando durante a noite no escuro, encostamos nossas cabeças no
travesseiro e o silêncio cala tudo...
Dentro de mim carrego o muito que vivi e o pouco que conheço. E
às vezes tenho a sensação de que não caibo mais aqui dentro, por isso
levo pra fora todos os meus eus e posso ser várias, aos meus olhos ou
aos seus, mas a essência é uma só, e essa sim, não muda nunca. Sinto nas
pequenas entrelinhas e caminho sempre nas linhas explicitamente tortas.
Posso ser uma explosão de cores Almodovarianas e, após um suspiro,
transformar o meu mundo em um cinza calmo e melancólico. Porque o meu
mundo é assim mesmo, igual ao de todo mundo: ambíguo e irremediavelmente
inconstante mundo.
E foi assim que eu, finalmente, voltei pra única pessoa no mundo
que nunca me abandonou ou desmereceu: eu mesma. Foi desse jeito meio
torto, meio bruto que eu voltei pra mim. Foi depois de me doar e me doer
tanto que eu percebi que não vale à pena.Coração vazio e sorriso cheio,
que assim seja. Os arranhões já não me doem, cada decepção eu levo como
vacina. Dessa vez prometo não me abandonar, me deixar de lado ou me
diminuir por ninguém nesse planeta. Se não tiver jeito, posso até me
emprestar, me dividir quem sabe, mas me perder nunca mais. Agora é
assim, primeiro eu. Quem não gostar das regras, não joga. Tô feliz,
acredita ? Olha só a irônia, fui buscar o amor e já tinha. Fui tentar
ser feliz e já era. Fui tentar me encontrar e me perdi. E, que loucura,
precisei me perder pra me encontrar.
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